Educação Física: ser ou não ser formado para ensinar lutas?

Imagem: http://www.def.uem.br/index.php?id=23

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Essa é uma discussão bem acalorada no meio das lutas e existem diversas opiniões. Bom, eu darei aqui a minha.

O STJ já deixou bem claro que para ensinar lutas não é necessário ser formado em Educação Física, como explicado no excelente blog do Prof. Roberto Corrêa, pois o entendimento é de que o objetivo final dos centros de luta é transmitir o conteúdo da luta, ensinar uma técnica e não o fitness em si. Com isso em mente, curso nenhum de Educação Física possui em sua grade currículo para ensinar o Karatê-do, por exemplo, uma arte marcial onde para se formar decentemente um faixa-preta leva-se pelo menos 8 anos (só de faixa marrom eu fiquei 3…).

Eu concordo plenamente com o STJ e digo isso sendo  formado em Educação Física e registrado no meu Conselho Regional  (CREF/RS) sob o número 011906-G. No entanto, diante de coisas que tenho visto por aí, acho que a formação acadêmica deveria ser levado em consideração em algum momento por conta de fatos como por exemplo:

– se o objetivo é ensinar a luta, não cabe ao sensei fazer circuito de treinamento funcional, colocando gurizada a puxar pneu de trator;

– composição corporal não se faz simplesmente comprando uma balança de bioimpedância ou vendo no google como se mede dobra cutânea;

– não adianta fazer um alongamento intenso e depois querer fazer 500 chutes, porque não vai ter força muscular;

Quem sabe disso é um profissional de Educação Física. Quem deve  fazer isso perante a lei brasileira é o “crefista” como dizem, pois nestes casos de condicionamento físico é ele o profissional preparado, não um sensei/professor/instrutor que só aprendeu dentro do dojo/dojang/centro de lutas. E veja bem, deve ser um bacharel, não licenciado, que é o meu caso.

Então eu hoje defendo o seguinte caso: se o instrutor quer aliar a transmissão da técnica, cultura e valores da sua arte marcial e junto quer trazer condicionamento físico para seus alunos, que tenha em seu local um profissional registrado para tal, que cuide do todo. Alguém que vai atentar para que se tenha um aquecimento adequado para o conteúdo daquela aula; que faça avaliação física dos alunos e cuide do bem estar dos mesmos e se der algo errado será responsabilizado perante a lei. Sim, sei que isso vai encarecer o mercado, mas também servirá para melhorar a qualidade do serviço prestado, fidelizando mais os alunos e assim mantendo-os na escola por mais tempo!

Agora, se um dia quiserem legalizar o ensino, obrigando o curso superior, eu defendo que teria que ser LICENCIATURA e não bacharelado para as artes marciais, justamente por causa dos argumentos de que arte marcial se ensina! Quem é treinado para tal, que aprende sobre Psicologia da Educação, Didática, Planejamento de Ensino, Psicomotricidade, Desenvolvimento Infantil, etc e ainda aprende sobre biologia humana e esportes é o licenciado, não o bacharel! Eu me graduei para isto, para dar aula com qualidade (pelo menos é o que se espera), mas isto fica para outra discussão…  :)

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