Comparação biométrica entre um campeão mundial de karate-do tradicional e atletas amadores

Em 2007 apresentei meu primeiro trabalho científico sobre Karate, apresentado no Seminário Internacional de Ciências do Esporte e Atividade Física, da Ulbra/Canoas. Na ocasião além do pôster, o resumo também foi publicado nos anais do evento (Corpo em Movimento. Canoas: Ulbra, 2007. v. 5. p. 49-50.):

“O karate-do originou-se, provavelmente, na Índia ou China cerca de 1.200 anos atrás, sofrendo desde então modificações quanto à técnica e ao estilo, resultando nas diversas escolas hoje existentes. O treinamento sistematizado foi iniciado por Gichin Funakoshi, em 1930, e a passagem do karate-do de arte marcial para esporte de competição ocorreu em 1953 (Sasaki, 1978). Hoje, apesar de ser difundido em todas as partes do globo e com participantes em todas as faixas etárias, o karate-do tem poucos estudos sobre o perfil dos seus praticantes, suas técnicas ou mesmo de protocolos de treinamento específicos para as diversas modalidades.

Os poucos estudos publicados em revistas especializadas tratam exclusivamente das modalidades que envolvem categorias de peso (Del Vecchio et al., 2006; Giampetro et al., 2003), excluindo, desta forma, praticantes de Karate-do Tradicional, que em suas competições tem a idade como divisor de categorias, não o peso. O objetivo deste estudo é comparar a composição corporal, somatotipo e proporcionalidade entre um karateka tradicional profissional com um grupo de nove karatekas amadores do mesmo estilo, da cidade de Canoas, RS, para verificar se existem diferenças biométricas que ofereçam vantagens em competições.

Foram efetuadas medições de estatura (cm), as alturas (cm) acromial, radial, estiloidal, dactiloidal, trocantério, tibial e envergadura; peso; (kg) os diâmetros (cm) do punho, úmero e fêmur, os perímetros (cm) do braço tenso, antebraço, abdômen, coxa, perna e as dobras cutâneas (mm) do tríceps, subescápula, suprailíaca, abdominal, coxa e perna medial. Todos os indivíduos do Grupo A, com idade média de 28,9 anos, já participaram de, pelo menos, uma competição na categoria adulto em nível estadual e treinam há mais de seis meses. O indivíduo B, com 39 anos, 5º dan, penta campeão mundial de jiyu kumite pela ITKF (International Traditional Karate-do Federation).

Para a determinação da composição corporal, utilizou-se o método descrito por De Rose (1975); para percentual de gordura a fórmula proposta por Pollock e Wilmore (1993) e o somatotipo através do método de Heath-Carter (1970). Os resultados encontrados no grupo A demonstraram uma variedade de biotipos, desde indivíduos com pouco percentual de gordura (6,8%) até com alto percentual (29,3%).

Os resultados do grupo B estão dentro do desvio-padrão do GA em quase todos os aspectos, exceto nas medições das dobras do tríceps e abdômen e o somatotipo médio dominante foi endomórfico-mesomórfico, resultado semelhante ao de Vulczak et al (2004) também com karatekas tradicionais. Percebeu-se através do Teste-T que o Indivíduo B possui uma diferença significativa (p<0,005) para mais na altura do trocantério, correspondente à medida do membro inferior, e extremamente significativa na envergadura e nas relações (envergadura X estatura) e (membro inferior X estatura), sugerindo pernas mais longas embora não necessariamente braços mais longos, uma vez que a altura estiloidal não demonstrou diferença significativa.

Pode-se concluir, através deste estudo que as diferenças biométricas significativas encontradas estão apenas na proporção entre a altura do trocantério e estatura e da envergadura pela estatura, sendo necessários estudos biomecânicos adequados para analisar a possível vantagem competitiva destas diferenças. Palavras-chave: Karate-do. Biometria. Biótipo.”

POSTER ulbra

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