CBK, CBKT, SKIF, JKA, KWF, CBKI, CKTB… Afinal, o que são todas estas siglas?

Bom, no Brasil atualmente temos uma grande infinidade de entidades do Karate-do. São mais de 20 confederações nacionais de karate, todas com seus campeonatos, campeões e seleções. Então vamos tentar explicar um pouco isto neste artigo!

Vamos começar explicando 2 conceitos de entidades diferentes: a Escola e o sistema Confederação/Federação.


A Escola de Karate-do é uma entidade que se preocupa com a parte técnica e pedagógica do Karate-do. Ou seja, na teoria é ela que transmite os conhecimentos, avalia e entrega as graduações para seus alunos e integrantes. Estas escolas normalmente estão ligadas a um determinado estilo de karate-do.

Os dojo/associações teriam que ser parte integrante de uma escola para receber as instruções e repassar aos seus alunos. São exemplos de escolas do estilo Shotokan: JKA (Japan Karate-do Association, a primeira fundada no tempo de Funakoshi Sensei); SKIF (Shotokan Karate-do International Federation, de Kanazawa sensei e que somos filiados) e KWF (Karatenomichi World Federation, de Yahara Sensei). Estas escolas possuem sua divisão brasileira para cuidar dos dojo daqui e fazer a “ponte” com a matriz japonesa.

A Confederação/Federação é a entidade que pode reconhecer os graus emitidas pelas escolas e deve organizar competições esportivas. A Federação representa o estado e a confederação o país. Esta última determina as regras esportivas, categorias, etc e organiza os certames para então ter uma seleção nacional que representará o país nas competições internacionais, que por sua vez são organizados por entidades mundiais. Exemplos: FKIRS (Federação de Karate Interestilos do RS) que é filiada à CBKI (Confederação Brasileira de Karate Interestilos) que é filiada à WUKF (World Union Karate-do Federation).

Então em teoria uma Confederação deveria se preocupar em organizar a parte esportiva e não o conteúdo e graduações do Karate-do. Quem faz isto é a Escola, que pode ser reconhecida e aceita pela entidade esportiva, que por sua vez  se sustentaria com a promoção dos eventos e cobrança de anuidade dos filiados à ela.

Mas acontece que no Brasil, por conta da Lei Federal 8.672/92, a chamada Lei Zico, pode-se criar no Brasil quantas entidades representativas do esporte quiser. Ou seja, hoje no Brasil temos mais de 20 confederações brasileiras de karate e todas oficiais, registradas com CNPJ e tudo! Então são mais de 20 campeões brasileiros, seleções brasileiras, etc. O mesmo a acontece a nível estadual. Por conta disto existem tantas siglas e entidades esportivas, algumas sérias e realmente preocupadas com a arte marcial, outras que só querem ganhar e expedir certificados de graduação.

Só tem um porém: embora muitas destas organizações sejam reconhecidas pelo Ministério dos Esportes, apenas UMA é reconhecida pelo COB – Comitê Olímpico Brasileiro – e portanto pode levar seus atletas filiados à Olimpíada: a CBKConfederação Brasileira de Karate, que no Rio Grande do Sul tem a FGK (Federação Gaúcha de Karate). NENHUMA outra – pelo menos até 2016 – pode dizer que sua seleção irá disputar os jogos em Tóquio.

 


Então é isso: uma Escola (JKA, KWF, SKIF, JKS, etc) ensina e gradua de acordo com a sua linhagem e normalmente um dojo é ligado à ela. Uma Confederação (CBK, CKTB, CBKT, CBKI, FBK, etc) organiza e regula competições reconhecendo as Escolas e dojo filiados! Cada uma tem suas regras e regulamentos próprios. Ao ingressar em um dojo, procure se informar em qual linha está ingressando e se este está filiado à alguém.

O mais importante de tudo: seja feliz com o Caminho das Mãos Vazias (karate-do)!

One Comment

  1. Parabéns pela explicação!
    Ainda bem que tive o privilégio em treinar com grandes Mestres estando ligados à JKA…..

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